‘Nous cousons’, ‘il chouchote’: verbos em francês viralizam como ‘piadinhas de quinta série’; entenda significados

'Nous cousons': verbos em francês viralizam; entenda os significados Quem disse que não dá para aprender a partir de piadinhas de quinta série (ou sexto ano...

‘Nous cousons’, ‘il chouchote’: verbos em francês viralizam como ‘piadinhas de quinta série’; entenda significados
‘Nous cousons’, ‘il chouchote’: verbos em francês viralizam como ‘piadinhas de quinta série’; entenda significados (Foto: Reprodução)

'Nous cousons': verbos em francês viralizam; entenda os significados Quem disse que não dá para aprender a partir de piadinhas de quinta série (ou sexto ano, na nomenclatura atual, pós-meme)? Aquele senso de humor um tanto adolescente, com risadinhas diante de qualquer frase de duplo sentido, fez com que um vídeo sobre conjugação verbal em francês, gravado por uma linguista brasileira, alcançasse cerca de 10 milhões de visualizações em poucos dias. No grande hit, sucesso absoluto entre tiozões nos grupos de zap da família, a professora-doutora Tatiana Raick mostra como conjugar no presente “coudre”, que significa “costurar”: Je couds (/je cu/) Tu couds (/tu cu/) Il coud (/il cu/) Nous cousons (/nu cuson/) Vous cousez (/vu cusê/) Ils cousent (/il cúsã/) Pronto, qualquer semelhança sonora com o monossílabo chulo da língua portuguesa (c*) já é suficiente para, nos comentários, gerar milhares de brincadeirinhas bem maduras: “Nous cousons é sacanagem”, brincou uma das seguidoras. Bom, esse é um dos poucos exemplos possíveis de reproduzirmos no g1… “Todo som que gera alguma aproximação com a língua materna pode gerar uma piada. A quinta série permanece em todos nós”, brinca Tatiana, que dá aula de francês na rede municipal do Rio de Janeiro. “Faço tantos vídeos com explicações longas, como linguista, que dão poucos likes. Foi só associar a algum besteirol que caí no gosto da galera. Mas não dá para me martirizar: o lado cômico acabou servindo para ensinar uma gramática densa de maneira descontraída.” ➡️ Ela explica a importância de, ao aprender francês, entender como pronunciar fonemas que não existem no português. Pode parecer preciosismo, mas um biquinho na hora errada muda todo o sentido da frase. A professora cita o exemplo do “beaucoup”, que significa “muito”. A parte final da palavra tem som de “/cu/”. Mas, ao viajar para França, é comum que brasileiros fiquem constrangidos em pronunciar algo que parece um palavrão. Eles improvisam o bico e falam algo como “/quiu/”. E sabe o que isso significa? Para quem ouve, “/boquiu/” parece uma tentativa de falar “beau cul”, ou seja, belo… bumbum, digamos assim. Um segundo vídeo nesse estilo também fez sucesso no Instagram de Tatiana: a conjugação do verbo “chuchoter”, que significa “sussurrar”: Je chuchote Tu chuchotes Il chuchote On chuchote Nous chuchotons Ils chuchotent Nem precisamos dizer quais piadinhas costumam ser sussurradas pelos adolescentes quando aprendem esse vocabulário. Outra palavra que também faz parte da categoria quinta série de humor é “pescoço”: em francês, "cou". “Eu já vejo com normalidade, mas, para quem está aprendendo pela primeira vez, costuma morrer de rir. Meu pai, aos 60 e poucos anos, já pedia para eu traduzir ‘papagaio no pescoço do professor’: ‘le perroquet dans le cous du professeur’. Homens não crescem”, brinca Tatiana. Com o sucesso dos vídeos, houve quem perguntasse para a linguista: “como você consegue dar aula sobre isso para crianças?”. “Na infância, em geral, ainda não se desenvolveu a capacidade de absorver uma piada a partir de frases de outro idioma”, afirma Tatiana. “Se estou falando em francês, elas continuam no clima do francês. É tranquilo falar ‘la tete’ (a cabeça) ou ‘le cou’ (o pescoço) nas salas de educação infantil ou fundamental I. As risadinhas começam na pré-adolescência.” (E, como vimos pelo sucesso dos posts, não terminam nunca mais.) Professora e linguista viraliza com conjugações verbais em francês Reprodução/Redes sociais